quinta-feira, 20 de outubro de 2011

escritos empoeirados num arquivo qualquer, por acaso encontrados

... vi-te pela segunda vez naquele dia, sob a chuva rala que caia no fim da tarde de um dia quase frio de maio.

Foi sem querer que te vi quando já procuravas meu olhar. Não te esperava e me assustei com um sorriso teu que, parecia, esperava-me ao lugar do encontro marcado. Imediatamente desloquei meu olhar procurando no meu espanto como te fitar novamente. Que fazer com tua presença e teu sorriso inesperados? Por um instante olhei para o nada, através dos finos pingos de chuva até aí, então, decidir, e te vi pela segunda vez.

Agora, pensando, eu queria ver você de novo, mais uma vez ainda. E eu nem disse nada, nunca digo, não consigo. Mas devia? Nem havia o que ser dito. E aí?, não ia. Pra que, de graça, assim, quebrar aquele estado de você que me dizia sem mover os lábios. E depois de dizer eu não saberia o que fazer e isso, talvez, você não entendesse. Quem é, sequer importava; teu olhar já dizia tanto... E eu fugindo, e eu sem saber, e eu ...., e eu..... E você lá, seu olhar, seu sorriso.

Mas agora importa: quem é você que eu quero?


(de 16-04-2007, escritos empoeirados num arquivo qualquer, por acaso encontrados)