segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Cadência





Caiu uma estrela, viu ela no espaço todo o feitiço.
- Mas porque não dá; nunca dá o tempo um minuto pra pensar?
... pois que ela queria o desejo formular.

O presente tão sabido, mil dias ensaiado e tantas noites já querido,
Ah! ela bem o podia cantar, de cor e repente, de trás pra frente, sem mesmo sequer tico assim pestanejar.

Mas o susto a impedia, mover lábio ou abrir voz.
Entendia aí, por isso, não podia em reboliço, pio fluir e avançar...

não havia já audácia, nem qualquer furor e empáfia, a um de seus nós desenrolar.

Era o susto do encanto que a tomava sem perdão,
Desenganava e torturava, pelo despudor do espanto, a calando em puro não.





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domingo, 6 de janeiro de 2008

...

sem tempo sem tempo sem tempo sem,

com tempo pra tudo fazer.

olhando cair a tarde até o anoitecer,

esperando raiar o dia e depois ainda ser.

até chegar o sol a pino,

até passar do meio dia,

até a chuva e o arco-íris,

até depois do entardecer.

Sem graça eu rio,

Sem dor eu choro,

Do ar engasgo,

No estar eu moro.

E sem ficar eu vou ficando.

Sem querer eu vou andando.

Sem te ver, te esperando.

até amanhã!

e ai sim,

muito a fazer,

e aí sim,

te ver me olhando.

.

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