quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Do incomodo que agente tem aqui dentro




Diante do absurdo da vida tudo é pequeno.
Diante do amor até a imensidão se cala.
O amor é capaz de um mar de lágrimas, mas ainda todos os oceanos seriam pequenos.



segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Cadência





Caiu uma estrela, viu ela no espaço todo o feitiço.
- Mas porque não dá; nunca dá o tempo um minuto pra pensar?
... pois que ela queria o desejo formular.

O presente tão sabido, mil dias ensaiado e tantas noites já querido,
Ah! ela bem o podia cantar, de cor e repente, de trás pra frente, sem mesmo sequer tico assim pestanejar.

Mas o susto a impedia, mover lábio ou abrir voz.
Entendia aí, por isso, não podia em reboliço, pio fluir e avançar...

não havia já audácia, nem qualquer furor e empáfia, a um de seus nós desenrolar.

Era o susto do encanto que a tomava sem perdão,
Desenganava e torturava, pelo despudor do espanto, a calando em puro não.





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domingo, 6 de janeiro de 2008

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sem tempo sem tempo sem tempo sem,

com tempo pra tudo fazer.

olhando cair a tarde até o anoitecer,

esperando raiar o dia e depois ainda ser.

até chegar o sol a pino,

até passar do meio dia,

até a chuva e o arco-íris,

até depois do entardecer.

Sem graça eu rio,

Sem dor eu choro,

Do ar engasgo,

No estar eu moro.

E sem ficar eu vou ficando.

Sem querer eu vou andando.

Sem te ver, te esperando.

até amanhã!

e ai sim,

muito a fazer,

e aí sim,

te ver me olhando.

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terça-feira, 9 de outubro de 2007

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Não escrevo poesias, não enceno alegorias,
nem invento tantas mil coloridas histerias
pra fazer rimar em feliz perfeita nota meu caminho com o teu.

Trilhas tortas, becos sem portas,
trajetos que não se deixam docilmente conquistar
por um tão fácil e ébrio cantar de mal vividas boemias!

Boemia pra valer vem afogada na tristeza,
Na saudade e na vontade de
uma vez que seja mais
arranjar a difícil sintonia entre o aqui e o aí.

Está a valer por existências bem mais vivas,
de sóis noturnos e tão raros prazeres que entorpecem;
de lunares dias e tantas sutilezas que enternecem;
Não pelo comodismo: pelo não aceitar dócil.
Não pelo efêmero lirismo : pelo arredio de um querer e não querer que ama.

Pra assim, e pra mais fundo,
na fundura leveza que deixa-nos a alma sem à tona poder ir, respirar,
em mim entrecruzo, estrada reta,
teus abismos que desafiam;
E em cruzamentos nos arriscamos,
a nessa nossa encruzilhada agora ir ou não
........... nos encontrar....
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quinta-feira, 5 de julho de 2007

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Vidas e mentes desfeitas. Povos sem rumos, vagando errantes. Tudo submerso em gazes rarefeitos. E intoxicados pulmões malfeitos de crianças disformes, adultos não crescidos rendidos pelo massacre dessas nuvens de fumaça, indiferença e desgraça que cruzam seus olhos em velozes luzes e ofuscam seus entendimentos.



Queria ter ainda o bom discernimento entre o dia e a noite. Foi o que pensou, esfregando-se nos trapos sujos que cobriam sua pele opaca e sua carne pouca, por finos ossos erguida em posição arqueada.

Ninguém ouviu! Quem ouve pensamentos? ... mas de nada adiantaria grunhir simbologias audíveis, ninguém perceberia. E de nada adiantaria alçar as mãos e os pés em pleno ar, em movimentos designificados que ninguém quer notar... Tudo como de costume prosseguia.

Os ossos, as carnes e o sangue daquele corpo de rala espessura eram invisíveis aos olhares refinados. A eles sua frágil corporeidade inexistia, mesmo que vagasse pelas ruas, mesmo que os esbarrasse, mesmo que rasgasse as próprias tripas em frente à Praça da Sé, sob a luz ardente do sol à pino, ou ainda se (se) quisesse (um) ser humano. Toda uma materialidade, imperceptível senão a ele próprio: sua fome, seu frio, sua dor e solidão, seu medo e todo o seu ódio, pesavam só a ele, só a ele importunavam... Maldito traste! preferiria não existisse,... ou se dissipem tais poucas e opacas veias, prestáveis apenas a nutrir o peso de tão rala existência corpórea que inexiste no mundo de concreto. Mas como escapar ao concreto do mundo?

E nem mais distinguia o dia da noite... E ia assim escapando, então.... Mas não poderia ser... Não podia ainda assim ir, tão despercebidamente, indo como era, sem causar um menor transtorno aos tão delicados olhares que não podiam distinguir-lo de um inerte obstáculo à bela paisagem da cidade. Não podia... não antes de beber o sangue quente de dez quaisquer destes de quem percebia tanta indiferença: os beberia em plena luz de um sol à pino, na Paça da Sé. E após, abriria as próprias tripas, malditas tripas como nunca antes saciadas pelo grotesco olhar que arrancara das gentes que transitam na cidade.

Mas diabos de sol querendo se esconder! Não queria ainda ir indo, indo assim... Mas já ia perdendo o discernimento entre o dia e a noite, e ia.
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quarta-feira, 30 de maio de 2007

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Serias o inferno, se eu não te desejasse tanto!
Mas quem disse que tenho pena de mim? e o que sempre digo é que prefiro o tempo quente e o gosto menos sóbrio que encontro em tua taça quase vazia. E de novo, eu iria querer enchê-la, só para que tua partida se adiasse um pouco mais. E então eu de novo! e eu teimando prolongar os instantes em que estás aqui ao meu lado, como se pudesse o tempo esticar até o limite do infinito.
Porque sempre eu, em sua ausência, esvazio garrafas pra ver se preencho a falta que me faz. E ai só faço e desfaço para acreditar que posso acelerar esses dias em que você não esta por aqui, por bem perto, porque...
bem, eu acho que te disse dia desses, tenho teimosias. E sem querer me pego teimando em crer que minha vontade de ti é todo o bastante para mandar um próximo instante te carregar pra o meu lado, de novo.
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segunda-feira, 7 de maio de 2007

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No instante em que tudo se fez mais claro, ela parou. E, por um segundo apenas, quis ver o vento passar. E então andou, atendendo ao chamado daquela brisa mansa e doce que se fazia como que para tentar encobrir a aspereza da areia arranhando os pés. O claro do sol transparecia por através da brisa mansa e doce. E assim essa claridade também cheirava mansamente adocicada, entorpecendo o gosto dos arranhões que incomodam... Açúcar que derrete na panela... Descalça, caminhava respirando esse ar que poderia ter lhe lembrado os anos em que morou com a avó; mas por mais que dos brinquedos e pirulitos ela tivesse um dia gostado, não os lembrou. Naquele agora, lembrava só o que estava sendo, continuando andando, difícil, mas sem deixar ir a alegriazinha.
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